SONETO DEDICADO A DINAMENE
Dinamene foi uma asiática a quem Camões amou e que morreu num naufrágio.
Alma minha gentil que partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa la no céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
-
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueça daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
-
E se vires que pode mercer-te
Alguma coisa a dor que me ficou
Da mágoa,sem remédio, de perde-te
-
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo da cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Luís de Camões
domingo, 8 de agosto de 2010
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